O báculo de Petrus Ramus e seu uso para medição de profundidade

Palavras-chave: Báculo de Petrus Ramus, Via Regia ad Geometriam., Procedimento de Medição;

Resumo

A história da matemática oferece diversos recursos didáticos e estratégias para o ensino de matemática, contribuindo para a construção do conhecimento matemático. Dentre esses recursos disponíveis, destacam-se os instrumentos matemáticos contidos em antigos tratados, em particular, os situados nos séculos XVI e XVII. O Via Regia ad Geometriam é um desses textos, que foi publicado na língua latina em 1569, pelo francês Petrus Ramus, traduzido para o inglês e publicado por William Bedwell, em 1636. Esse documento, que trata da “arte de medir bem”, traz um instrumento utilizado por agrimensores da época, denominado de báculo. A descrição da fabricação e de diferentes situações de uso do báculo, para medição de distâncias (comprimentos) e alturas, é apresentado no capítulo nove do tratado. Em vista disso, o presente artigo tem a finalidade de apresentar os conhecimentos matemáticos com base em uma situação proposta por Petrus Ramus, para o uso de seu báculo, relacionada à medição de profundidade. Assim, utilizou-se uma metodologia qualitativa documental, a partir da tradução, compreensão (histórica e matemática) e discussão do excerto, que direcionaram a buscar potencialidades didáticas do uso do báculo para essa situação. No decorrer do estudo, percebeu-se que, para essa situação específica, o autor nomeia a profundidade de altura reversa (Eversa altitudo), ou seja, ele a considera como uma altura abaixo do solo, voltada para medição de poços, buracos fundos e rios. Com relação aos conceitos matemáticos advindos da aplicação dessa situação, percebe-se que perpendicularidade, paralelismo, propriedades do triângulo retângulo, semelhança de triângulos, dentre outros, são utilizados no manuseio do báculo e que ambos podem ser direcionados ao desenvolvimento de algumas habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Ensino Fundamental. Entretanto, considera-se que, após uma medição real de uma profundidade, por meio do instrumento, outros conceitos podem ser percebidos e agregados às potencialidades didáticas, visando, assim, estabelecer uma articulação entre a história e o ensino de matemática.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Francisco Hemerson Brito da Silva, Universidade Estadual do Ceará

É graduando do curso de Licenciatura em Matemática pela Universidade Estadual do Ceará e membro do Grupo de Pesquisa em Educação e História da Matemática (GPEHM). Desenvolve projeto na área da Educação Matemática, com ênfase em História de Matemática, atuando principalmente nos seguintes temas: Fontes históricas, instrumentos matemáticos do século XVI, interface entre história e ensino de matemática e formação do professor de matemática

Ana Carolina Costa Pereira, Universidade Estadual do Ceará

Possui graduação em Licenciatura em Matemática pela Universidade Estadual do Ceará (2001), mestrado em Educação Matemática pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2005), doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2010) e pós-doutorado em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ainda atua como docente Adjunta da Universidade Estadual do Ceará e líder do Grupo de Pesquisa em Educação e História da Matemática (GPEHM). Tem experiência na área de Educação Matemática, com ênfase em História de Matemática, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de professores de matemática e interface entre história e ensino de matemática.

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

DOLCE, Osvaldo; POMPEO, José Nicolau. Fundamentos de Matemática Elementar: Geometria Plana. 7. ed. São Paulo: Atual Editora, 1995. 9 v. (Fundamentos de Matemática Elementar).

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.

KRIPKA, R. M. L.; SCHELLER, M.; BONOTTO, D. de L. Pesquisa documental na pesquisa qualitativa: conceitos e caracterização. Revista de Investigaciones Unad, Bogotá, v. 14, n. 2, p.55-76, jul. 2015.

PEREIRA, A. C. C.; SAITO, F. A organização do saber geométrico em Via Regia ad Geometriam (1636) de Petrus Ramus: uma reflexão sobre a definição de ângulo reto e de perpendicular. Rematec. V. 13, N. 27. Natal: Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Cultura Matemática e suas Epistemologias na Educação Matemática, 2018. pp.24-38.

PEREIRA, A. C. C.; SAITO, F. A reconstrução do Báculo de Petrus Ramus na interface entre história e ensino de matemática. Revista Cocar, v. 13, n. 25, pp. 342-372, 2019a.

PEREIRA, A. C. C; SAITO, Fumikazu. Os conceitos de perpendicularidade e de paralelismo mobilizados em uma atividade com o uso do Báculo (1636) de Petrus Ramus. Educação Matemática Pesquisa. São Paulo, v. 21, n. 1, p. 405-432, 2019b.

RAMUS, P. Via Regia ad Geometriam: The way to geometry. London: Thomas Cotes, 1636.

SAITO, F. História da Matemática e Educação Matemática: Uma proposta para atualizar o diálogo entre historiadores e educadores. In: CONGRESO IBEROAMERICADO DE EDUCACIÓN MATEMÁTICA, 7., 2013, Montevideo. Actas. Uruguay: Fisem/semur, 2013. p. 3990 - 3998.

SAITO, F.; PEREIRA, A. C. C. A elaboração de atividades com um antigo instrumento matemático na interface entre história e ensino. São Paulo: LF - Editorial, 2019. 88 p. (História da matemática e da educação matemática para o ensino).

SILVA, I. C. da. Um estudo da incorporação de textos originais para a educação matemática: buscando critérios na articulação entre história e ensino. 2018. 92 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado em Ensino de Matemática, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Fortaleza, 2018.

Publicado
2020-09-02
Como Citar
Silva, F. H. B. da, & Pereira, A. C. C. (2020). O báculo de Petrus Ramus e seu uso para medição de profundidade. Revista De Educação Matemática, 17, e020042. https://doi.org/10.37001/remat25269062v17id371
Seção
Artigos Científicos